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Jornal Cruzeiro do Sul 2013

O mais legal dessas coisas é que esclarece umas coisas pra quem pensa q comecei do dia pra noite com desenhos, ou que as coisas vem tudo de maneira fácil ..... claro que não, bora trabalhar rapá !

 "Eu não trabalho com rascunho, desenho o que sinto na hora. Faço arte para passar uma mensagem boa, de que é possível fazer o que se tem vontade e não ficar preso no cotidiano", defende.
Para propagar a sua arte, Deco já respondeu como marginal, pediu conta em trabalho, rodou 20 cidades da Europa por um mês, colando adesivos de seus desenhos próximos de pontos turísticos como Torre de Pisa, Eiffel, e as gondulas de Veneza. Mas ele quer mais: o jovem André Ruiz de Freitas, nome do artista de 22 anos e natural de Alumínio, já está preparando as malas para o próximo mês, aterrissar em outro canto do mundo. "Vou colar adesivos pra todo o lado". Garante ele que, por enquanto tem Londres como roteiro. Os stickers (adesivos) foram apenas uma forma que achou de espalhar seus trabalhos nos locais, sem causar qualquer tipo de problema. Afinal, quando estava levando a arte para a rua mais precisamente em 2010, acabou sendo autuado e teve que responder na delegacia de Alumínio pelo ato de infração. O episódio, apesar de ruim teve seu lado positivo. A partir dele é que o artista juntou forças para mostrar para a sociedade que o que fazia era arte. "Me levaram para a delegacia, e na época que eu estava começando com a fazer esse desenho mais abstrato, já estava me encontrando nas cores e a delegada falou que era um desenho que ninguém entendia, ouvi que desenho na parede era coisa da época das cavernas", lembra ele que teve que pintar novamente parede onde havia desenhado.
"Tive que apagar os desenhos, pintar tudo de cinza de novo, isso foi um soco na cara. Em um dos trabalhos estava escrita a frase: Nenhum sonho é grande demais, mas eles acharam que era pixação, e eu um marginal", desabafa.
    O trauma da repreesão foi sentido na vida do jovem, que por uns bons tempos acabou ficando enclausurado dentro de casa, "com medo de sair às ruas", principalmente para evitar que o episódio pudesse acarretar em algum problema na empresa onde trabalhava. "Estava com medo de ser mandado embora, então fiquei meses em casa com medo de sair. Era do trabalho pra casa, onde desenhei muito, foi uma época que eu desenvolvi esse traço de agora." Como "traço" entenda-se que a identidade do trabalho do artista, que mistura muitos desenhos em uma imagem e abstrata com muitas cores. Vale reforçar que Deco nunca estudou desenho. Para ganhar dinheiro certo, o jovem se matriculou em curso técnico de eletrônica, o que abriu as portas da fábrica, onde trabalhou por três anos.
    As imagens criadas por Deco ilustram mais do que muros das cidades de Alumínio, estão também em Sorocaba, Mairinque, São Roque, Tatui e em breve em Campinas. Além de no concreto, as cores do artista podem também ser vistas em camisetas, canecas e até no corpo de pessoas, o chamado BodyPaint. " O ano de 2011 foi o ano que produzi muito, fiz esposição, pintei muitas paredes, fiz pinturas em corpos e fui conhecendo muita gente", fala.

         Mudando de vida
    Mas se 2011 foi o ano da produção, 2012 foi das decisões do rapaz, que começou o ano passado investir o dinheiro arrecadando com suas artes para uma viagem para a Europa. "As pessoas achavam que eu não iria, mas quando cheguei em Portugal, pensei: agora já estou aqui", lembra ele que percorreu cidades do velho continente entre elas Milão, Madri, Barcelona, Veneza, Paris, Granada, Florencia. "Queria mesmo era pintar era pintar nesses locais turísticos, mas sem chances, então resolvi fazer um trabalho de stickers, que é só chegar e colar, qualquer coisa, é só arrancar. Fui colando os adesivos com minhas artes e fotografando tudo. Quando voltei, fiz exposições com as fotos da viagem", explica.
    Além de espalhar seu trabalho pela Europa, a viagem inflamou em Deco a esperança em viver de sua arte. "Vi muitos artistas brasileiros, vi que era possível e pensei: quando voltar vou ficar fazendo isso", relembra o jovem. Não demorou muito e o artista, enfim, fez o que queria há tempos: pediu demissão da fábrica onde trabalhava, para se dedicar com mais afinco a seus desenhos.
    A mãe não gostou muito da decisão, mas o artista não se arrepende, e lembra que as habilidades artísticas são uma característica familiar, já que a mãe e a irmã são ótimas artesãs, "Desenho desde pequeno mesmo, as minhas brincadeiras de criança eram ficar rabiscando os papéis, fui incentivado para o lado do desenho." Além dos desenhos infantis, Deco começou, em 2005 a fazer telas de paisagens, o que não gostava muito. "Não tenho nenhum curso de desenho, nunca estudei isso. O que eu queria era fazer uma coisa mas não sabia o que era, não ficava satisfeito. Eram quadros básicos", recorda.
    "Eu não trabalho com rascunho, desenho o que sinto na hora. Faço arte para passar uma mensagem boa, de que é possível fazer o que se tem vontade e não ficar preso no cotidiano", defende.

Jornal Cruzeiro do Sul 10 de Janeiro de 2013
            Maíra Fernandes
            maira.fernandes@jcruzeiro.com.br