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Jornal de Aluminio Natal 2013















Na última edição do ano, 
o Jornal de Alumínio Regional traz como destaque, a obra do artista aluminense André Ruiz de Freitas o popular "Deco" que, em sua segunda saída do país, faz sucesso em países europeus e também asiáticos. Em sua primeira experiência fora do Brasil, Deco foi a Paris e Roma, conquistando admiradores como mostrou o J.A.R na edição 464. Agora, Deco já percorreu mais de dez países entre Inglaterra, Holanda, Alemanha, Romênia (terra do Conde Drácula) e Turquia. Suas incursões artísticas podem ser observadas em diversos murais, diversas galerias, painéis, trens, etc. Entrevistas às emissoras locais de televisão e jornais já viraram rotina. Participou, inclusive, do anuário brasileiro de Londres, aliás, cidade esta em que morou em um pequeno barco, rodeado por patos com os quais brincava todas as manhãs. Chamou a atenção do velho continente com sua arte inovadora e com seu jeito peculiar, ora com roupa de oncinha, ora com uma máscara colorida, Deco consegue provocar, no mínimo, curiosidade por onde passa. A maneira de ser não mudou o seu modo tranquilo, humilde e com uma fé inabalável, fé esta que sempre que possível faz questão de contextualizar em suas pinturas. Deco falou da Turquia ao J.A.R onde foi um dos destaques da galeria X Ist pintando todas as paredes do espaço e um painel especial para a abertura de uma importante mostra de arte. 

 J.A.R: Como está a vida na Ásia e na Europa?
Comparada com a primeira viagem à Europa há quase dois anos esta tudo bem diferente e muito mais acessível. Não conhecia ninguém e estava sem nenhum convite ou oportunidade. Fui só me mantendo com simplicidade e procurando descobrir o que cada país e cidade tem como particularidade. Fiz o meu melhor nos lugares por onde passei. Isto fez com que oportunidades surgissem. Agora, tenho muita coisa encaminhada, tenho material para fazer meus desenhos, as pinturas de rua e as exposições. Tenho praticado o skate nestes países. Tudo tem acontecido. Tenho concedido várias entrevistas para revistas, jornais, televisões, etc. Muito bacana as experiências nas exposições em galeria e encontro com diversas pessoas importantes. Mas o que sempre falei, o mais importante é que estou me divertindo passando uma mensagem bacana, fazendo o que gosto e ajudando os outros no que posso.
 Quais suas maiores dificuldades por aí? 
Creio que o que dificulta é o frio, e carregar minha mochila para todo lado, principalmente quando está nevando. É bonito de se ver a neve, mas depois de um tempo, a gente sente falta do sol. Saudades da família e dos amigos. É difícil ficar tanto tempo longe assim. Procuro sempre manter contato pela internet. Sinto falta de várias coisas simples como sair de chinelos com os amigos na rua, com as tintas sem saber onde pintar. Aqui, o povo é diferente dos brasileiros, são mais fechados, os brasileiros têm o costume de ser bem abertos papeando e falando sobre a vida. Aqui ninguém faz isso, todos mais fechados. Leva-se muito tempo para se aproximar das pessoas.
 E para se comunicar, como tem feito? 
Com o inglês dá para se virar em qualquer lugar. Nesses últimos dez países que percorri, foi na base do inglês mesmo. Mas percebi que em vários lugares o pessoal entende bem o inglês mas não gosta de falar, como alguns lugares da França e da Alemanha.
E os progressos profissionais?
Fiz algumas pinturas na Holanda e Alemanha em troca de hospedagem e comida. Claro que várias trocas também até para conseguir blusas para me aquecer no frio do inverno. Morei um tempo em igrejas também, algumas fases bacanas até mesmo para ficar em paz com o lado espiritual. E sempre desenhando e criando o tempo todo, fazendo arte com o material que tenho em mãos. Em Londres, pintei para o Global Street Art e fiz muitas paredes, até algumas em vias públicas. Tenho feito alguns "live paint" em clubes, nada muito diferente do que já vinha fazendo antes. O tempo todo conheço pessoas novas, lugares, climas diferentes e aprendendo sobre diferentes línguas e vivendo diferentes culturas. Fiz uns trabalhos bem elaborados como a capa do guia brasileiros em Londres. Para o Ortodoxo Romeno fiz arte para o padre da igreja em que morei um tempo. Em conjunto com um americano e um romeno pintamos o maior mural da Romênia e depois, mais umas 12 paredes viajando cidades na Romênia. Desde fevereiro, venho pintando pedaços de madeira e preparando-me para fazer exposição que acontece entre novembro e dezembro na Turquia na galeria X-Ist aonde me convidaram para pintar todas as paredes e fazer um painel durante a abertura. É onde estou agora. Claro que, como acontece em todo lugar (inclusive em
Alumínio) várias vezes a Policia vem questionar sobre pintar na rua. Na França até meu blog a polícia acessou para ver por onde tenho passado. Mas não tive problema algum, o pessoal super educado que conversa numa boa.
Quais os próximos passos?
Não estou com plano nenhum e só procuro dar o melhor de mim. Com muita fé em Deus, certamente foi issoque me trouxe até aqui. Claro que pretendo voltar logo e ficar um tempo novamente com os amigos e familiares para saber das novidades e
compartilhar o que tenho aprendido nestas viagens ... Venho escrevendo bastante e pretendo publicar algo, talvez aconteça até de fazer um livro ilustrado, veremos... Vamos deixar rolar e ver o que Deus prepara pra gente.
Um Feliz Natal Alumínio!


 Alide Corrêa Ruiz, mãe do artista 

JAR: O que acha das viagens do Deco? 
Alide: Acho que apesar da saudade, ele tem mais é que ir atrás do sonho dele. Tentou por aqui mesmo mostrar o dom que Deus lhe deu. Por ter um emprego estável, eu não queria que ele largasse isto, mas o sonho falou mais alto, deixou Alumínio e saiu em busca de seu sonho. Para nós da família, nos restou apoiá-lo e torcer muito para que ele consiga a realizar esse sonho se Deus quiser. 
Como fica o Natal sem o Deco ? 
Alide: Será o primeiro Natal sem ele por perto. Vamos sentir muito sua falta Sempre gostou de passar as festas de finais de ano em casa. andava de skate, conversava com seus amigos e assim comemorava com todos. É também o primeiro aniversário dele longe da família que será no dia 28/12. Nós lhe desejamos boas festas e um feliz aniversário com muito carinho de toda a família.
Fale um pouco do Deco
Alide: O Deco sempre foi um menino muito amoroso e caseiro. Desde pequeno gostava de desenhar. Já com 5 anos fazia desenhos para seus amiguinhos da escola. Todos os dias, chegava com algum pedido de desenho. Tinha sempre um bloquinho para desenhar junto com ele. Quando maior, sempre nas reuniões da escola, eu ouvia a mesma coisa "o Deco desenhou na parede da escola ou "o Deco sempre faz desenho dos colegas", Por ele gostar de desenhar, as pessoas pediam para ele fazer os trabalhos escolares de artes. A professora não gostava porque queria que os outros alunos também participassem da aula com seus próprios desenhos. Como adulto, sempre foi responsável e tranquilo e é claro sempre com seus desenhos por perto.
Deco, que Deus o abençoe e ilumine os caminhos por onde você passar.



Ana Maria Salcedo, professora de Educação Artística de Deco na escola Figueirôa.
Deco sempre foi muito criativo. Desde o início teve seu estilo próprio,seguia seus instintos. Me lembro quando pedi ao Deco para desenhar um Papai Noel diferente do convencional velhinho. E ele o fez. Era um grafiteiro muito jovem, e do saco de presentes saíam muitas latas de tintas coloridas. É muito gratificante vê-lo hoje, aquele menininho tímido,colorindo o mundo com seu talento e carisma. Deco ,desejo a você muita luz e muita cor no seu caminho! Que Deus o abençoe !
Sueli Edviges dos Santos Oliveira, artista plástica e incentivadora de Deco 
O Deco, tocou a campanhia de minha casa e se ofereceu para pintar meu muro. Confesso que fiquei desconfiada, pensei que era um desses meninos zoeira. Mas, ele me mostrou, numa pasta, os seus desenhos maravilhosos e me emocionei, com tanto talento. Vi no Deco, um ser especial dotado de um dom divino e o incentivei, falei que o muro era dele que ele ficasse à vontade, só que eu queria que ele passasse mensagens de Deus, e até mesmo um alerta tipo não jogasse lixo nesse local, ficou maravilhoso. O muro que fica na Vila Pedágio, foi alvo de trabalho e pesquisa escolar com direito até de entrevistas do artista para os alunos. O Deco começou a ser conhecido por todos.Eu apresentei o trabalho dele ao Augusto do Jornal de Alumínio Regional que fez uma reportagem com ele. A TV TEM passando por minha rua, viu o muro e acabou entrevistando o Deco também. O Deco está realizando o sonho de todo artista. Desejo a ele toda sorte do mundo e vou sempre torcer por ele, pois o dom dele é infinito, está naalma dele.

Paulo Corrêa - Papelaria Progresso
Deco constantemente comprava canetas especiais para seus desenhos aqui na papelaria. Observador, escolhia cada cor atentamente e sempre nos contava as histórias dos desenhos. Sempre foi um garoto muito educado, bom e comunicativo. Fico muito feliz em ver o sucesso dele, pois quando ele vinha na papelaria e contava sobre suas artes eu o incentivava bastante, porque sabia que ele fazia o que gostava. E feliz também de saber que está sendo reconhecido pelos seus trabalhos. Ele merece muito!

Ian Santos, 13 anos, nova geração de skatistas 
Quando era bem pequeno, meus tios me levavam na pista de skate aqui em Alumínio, pra ver os caras que andavam, logo que foi inaugurada. Sempre tinha uma galera lá que me impressionava pela habilidade, entre eles o Deco. Há pouco tempo vim morar perto da casa dele e tive oportunidade de conhecê-lo e passei a admirá-lo ainda mais pela humildade do cara. Agora eu e mais uma galera estamos treinando, caindo, enfim, estamos aprendendo. O Deco sempre será uma inspiração para nós, pois estando ele onde estiver, sempre comentamos sobre ele e suas manobras.

Augusto Canto, Jornalista que entrevistou Deco pela primeira vez.
Tive o primeiro contato com o Deco nos campeonatos de skate que fiz em Alumínio (o Deco venceu todos os 3 anos). Depois disso, soube que ele fazia algo diferente com tintas, madeiras, etc, foi quando o entrevistei pela primeira vez, na edição 400 do J.A.R. Saí da casa dele impressionado, chocado! Estou acostumado a entrevistar pessoas muito talentosas, mas o Deco tinha algo diferente, ele me perturbou (no bom sentido). A mente dele não parava, tudo virava arte nas mãos do Deco, a mente dele era tão rápida artisticamente falando, que ele mesmo se perdia em meio a tantas ideias. Para se ter uma noção, os azulejos da cozinha da mãe dele eram todos pintados porque o Deco fazia uma arte virtual chamada “Stop Motion”, uma espécie de animação. Passava a madrugada fazendo isso e depois ainda ia trabalhar na CBA. Os quadros que ví, tinta e óleo, do início de sua carreira eram incríveis. Publiquei a matéria em página inteira, depois outras se seguiram, o Deco foi parar na televisão e as coisas foram acontecendo. Fico muito feliz em ter participado disto. Fiquei apreensivo quando ele partiu para o exterior e deixou seu emprego mas, vê-lo acontecer fora do Brasil é incrível. Aqui, de fato, infelizmente, a parte artística é pouco valorizada, ficaria difícil para ele conseguir explorar seu potencial. Neste Natal desejo ao nosso Deco muito sucesso e paz. Para seus pais e familiaresmeu abraço amigo.
Vai lá DecoLife!

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