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Jornal Cruzeiro do Sul 12/03/2015 + extra fotos decolife



Deco: o artista de rua viajante, natural de Alumínio-SP, ele deixou o Brasil há dois anos e já passou por diversos países da Europa trocando seus trabalhos por hospedagem, passagens e comida


"Nunca tive muitos planos, apenas sempre soube que eu teria que fazer algo com minha arte e tudo giraria em torno disso"

-Maíra Fernandes 
Jornal Cruzeiro do Sul

Há dois anos, Deco, apelido do artista aluminense André Ruiz de Freitas, não pisa em solos brasileiros. Desde que saiu da sua cidade em 2013, o jovem artista de 24 anos roda a Europa trocando sua arte por hospedagens, passagens e comida. Citado no site Hypeness justamente por conta da sua arte colorida e sua vida nômade, o artista, que já realizou trabalhos em Portugal, Londres, França, itália, Roma, Vaticano, Romênia, Turquia, Bélgica, Hungria e Áustria, não pensa em voltar tão já. "Sinceramente não sei quando volto, tenho me mantido bem aqui por enquanto e sei que ainda tem muito para acontecer", considera o rapaz, cujas narrativas mais parecem saídas de livros de aventura e contam sobre noites nas ruas, hospedagens em igrejas, barcos, exposições em museus, e muitos quilómetros rodados para espalhar sua arte em diferentes locais no mundo.

"Tudo começou em 2012, quando decidi sair do trabalho fixo para me dedicar, totalmente, à arte", conta o jovem, que nunca estudou desenho, mas fez um curso técnico em eletrônica, o que garantiu alguns anos de trabalho em uma fábrica. Ainda em 2012, Deco viajou para Europa. "Não conhecia quase nada sobre a história dos lugares, culturas e tudo mais. Fui descobrindo e me envolvendo cada vez mais. Desde a volta para o Brasil, eu já tinha certeza que voltaria pra Europa, sentia que tinha muito mais coisas esperando por mim por aqui." Assim, em fevereiro de 2013, arrumou as malas e rumou para Londres, divulgando seus adesivos, conhecidos como stickers. "Minha passagem de volta era para dali quatro semanas apenas, mas eu sabia que ficaria mais. Só não sabia nada do que faria, pois não conhecia ninguém e tinha dificuldades com idioma." Para as quatro primeiras semanas, ele já havia pago hospedagens, mas resolveu estender a estada por mais quatro semanas. Para pagar a hospedagem de mais esse tempo, foi para a rua fazer sua arte mas, sem permissão, teve seu material apreendido. "Nessa época eu dormia dentro de igrejas britânicas e recebia pão e chá, mas também já dormi em pontos de ônibus, estações de trem, cabines telefônicas e lugares abandonados."

Convivendo com pessoas de rua e sem condições de fazer sua arte pois estava sem material, Deco começou a escrever em um diário tudo o que acontecia e as ideias que, segundo ele, o influenciariam em trabalhos futuros. "Fiquei por mais quatro semanas assim. Não sabia direito o que eu estava fazendo, porém sentia que estava no caminho certo e sem regresso, sempre caminhando e aprendendo, até que decidi ficar mais um tempo e joguei fora a passagem de volta para o Brasil", conta. "Nunca tive muitos planos, apenas sempre soube que eu teria que fazer algo com minha arte e tudo giraria em torno disso."

Morando nas ruas, além dos problemas corriqueiros, a condição de ilegal também é um agravante. "Nessa época, uma assistente social percebeu que eu não era um "sem lar" e quis me levar para o escritório de imigração para lidar com meu caso. Recusei pois conheço os riscos e me afastei do grupo com quem estava convivendo." Foi quando Deco conheceu, na rua, um rapaz que viajaria por um mês, e precisava de alguém para tomar conta do lugar onde ele morava: um barco. "Percebi que sem muita conversa e sem saber nada um sobre o outro, ele confiava em mim, também confiei nele, que me mostrou, em meia hora, como ligar motor e aquecedor. Então ele saiu e voltou só depois de 30 dias."

Ajudas e escambos 

Devidamente hospedado no barco, Deco conheceu pessoas e conseguiu tinta spray e fez alguns gafites em Brick Lane "um dos centros públicos mais importantes de grafite do mundo", frisa. "Também desenhava caricaturas em troca de comida, e conheci pessoas que me deixavam tomar banho na casa delas. Nessa época, passei também a visitar mais museus de Londres."Quando o dono do barco chegou da viagem, ficou surpreso com o trabalho de Deco, que havia recebido proposta para expor quadros na Turquia. "Ele viu o meu progresso e deixou eu ficar mais um tempo. A minha família não gostava muito pois sabia dos riscos, a família dele dizia a mesma coisa, preocupados com ele. Mesmo assim, morei no barco por cinco meses."

Depois, Deco saiu da Grã-Bretanha em sua primeira intenção de estender o visto da sua estadia, mas foi recusado. O artista quase foi deportado. "Foi bem difícil, pois os agentes são muito agressivos e nos fazem sentir que estamos fazendo algo errado."

Deixaram o artista na rua, no interior da França, apenas com a mochila, algumas roupas e sem dinheiro, "pedi carona até chegar em uma praia e, depois, carona para ir até a Bélgica, mas eu queria mesmo era ir para a Holanda. Então, de carona novamente, fui para Amsterdam onde rapidamente me envolvi com artistas locais e fizemos vários trabalhos juntos." Deco morava com pessoas que ia conhecendo no dia a dia, sempre na base da confiança e do escambo. "Recebi passagem em troca de arte e fui para a Alemanha, pintei algumas paredes em troca de hospedagens e alimento, e voltei pra Holanda mais um tempo, depois Alemanha novamente, Áustria, e vários países até chegar na Romênia, local que morei com um padre em igreja ortodoxa. Aprendi muito com ele", recorda.

O artista teve problemas, novamente, com a imigração, e precisou sair da Europa rumo a Ásia. Na Turquia, ficou por três meses e chegou até a expor em uma galeria de Istambul.

Depois que baixou a poeira com a imigração, o artista voltou para a Romênia, local que ficou por mais cinco meses, sempre pintando e acumulando as artes na mochila. Até esse momento, as aventuras e desventuras do artista da região eram, como na maioria dos livros e filmes, algo solitário. "Mas conheci uma garota da Romênia chamada Viorica - que faz filtro dos sonhos - e decidimos viajar e fazer planos juntos." O casal voltou para Londres, onde ficaram, por mais um tempo, residindo no barco do amigo de Deco e trabalhando com arte. Atualmente, os dois alugam um quarto em uma casa compartilhada.

Com sonhos e com saudades 

A vivência fora do país tem rendido mais do que boas histórias e inspirações para Deco, que diz expressar, em suas pinturas, sua vivência e sentimentos. "A vivência que tenho é muito complexa e livre, conectando vários elementos diferentes e dando um novo sentido para tudo, e isso reflete diretamente na arte. Passei muito tempo sozinho e entendi mais sobre mim mesmo, também passei a retratar mais elementos da natureza por sentir falta deles enquanto estou em grandes cidades."

O jovem fala que, conviver com culturas tão distintas, também é um grande exercício de cidadania e tolerância. Afinal, a todo o momento precisa confrontar, mais do que sua arte, sua cultura com a cultura alheia. "O pessoal gosta de brasileiros, temos fama de afetivos e amigáveis, mas claro que dentro da cultura e limite deles. As relações aqui levam mais tempo até virar amizade." Deco, que contou com muita ajuda nessa estada longe do Brasil, fala que as intenções e os interesses são diferentes. "Eu me hospedei e peguei muita carona com pessoas que conhecia no dia, porém sempre agiram na intenção de ajuda, sem querer fazer amizade ou se envolver. Até a arte que eu dava em troca eles ficavam com receio em aceitar e eu pedir mais coisas em troca", fala o artista que, apesar de passar por algumas dificuldades, garante que nunca lhe faltou nada. "Acho que passei mais de um ano sem dinheiro, só na base da troca mesmo. Em certo ponto eu até recusava receber em dinheiro, preferia passagens."

Esse modo de vida que tanto agrada o artista, preocupa a família, que faz falta para ele, e vice-versa. "Para superar a saudade eu nem fico pensando muito sobre isso, procuro olhar sempre as partes positivas das coisas e me comunicar com eles de vez em quando pela internet."

No momento, o artista trabalha pintando suas obras e vendendo, com Viorica, artesanato em Londres. "Me perguntaram recentemente sobre como eu me vejo nos próximos cinco anos, e eu respondi que cinco anos atrás eu nem imaginava estar aqui! Então não planejo nada mesmo, o importante é eu estar fazendo arte e o resto acontece. Claro que quero viajar para novos países, só que mais organizado, pois com minha companheira não pretendo dormir embaixo da ponte."
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"eu já tentei vender artesanato na rua mas aqui na Europa, autoridades tomam nosso material de trabalho pois não termos autorização do sistema pra fazer isso, não pagamos taxas, não temos empresa, e nem endereço fixo. Conheci morador de rua daqueles que só ficam pedindo e sendo esculachado por todos, descobri que chegaram nesse ponto por autoridades tirarem toda a criatividade que eles tinham, mas na real acho que e isso o que o sistema quer pra quem não entra nas "regras". Eu só consegui me manter por fazer "trocas"

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